A Canção do Espelho Precioso do Samadhi
Esta é a Canção do Espelho Precioso do Samadhi do Mestre Zen (Ch’an) Tung-shan Liang-chieh (cujo nome em japonês é Tõzan Ryõkai, 807-869), que é o fundador da Escola Ts’ao-tung de Zen Budismo. Ele foi contemporâneo de Lin-chi I-hsüan (Rinzai Gigen, d.866).
Seus ditos e ensinamentos foram compilados em Tung-shan Ch’an-shih Liang-chieh Yü-lu (Tõzan Ryõkai Zenji Goroku ); (Dainihon Zokuzõkyõ, vol. 2 No. 24).
Eis minha* tradução da Canção do Espelho Precioso do Samadhi, a partir das traduções em inglês feitas do chinês e japonês, que podem ser encontradas neste site.
***
O dharma da naturalidade é intimamente transmitido por budas e ancestrais.
Agora você o tem, preserve-o bem.
Uma tigela de prata repleta de neve, uma garça escondida na lua.
Distantes, são semelhantes, próximas, não são iguais.
O significado não reside nas palavras, mas é produzido em um momento essencial.
Mova-se e está preso, erre e você cai em dúvida e vacilação.
Rejeitar ou apegar-se a palavras são ambos errados, pois é como uma bola de fogo: útil mas perigosa.
Retratar o espelho em forma literária é manchá-lo com aviltamento.
Na noite mais escura, ele é perfeitamente claro; à luz do dia ele não pode ser visto.
É o princípio para todas as coisas; seu uso remove todo sofrimento.
Embora não aja, não está além das palavras.
É como encarar um espelho precioso: a forma encontra seu reflexo.
Você não é ele, mas na verdade ele é você.
Como uma criança recém-nascida, ela é inteiramente dotada de cinco sentidos;
Não ir, não vir, não surgir, não suportar,
Balbucios e arrulhos; fala sem sentido;
Sem compreensão, palavras ainda não orretas.
No hexagrama [seis linhas formando o duplo trigrama] “fogo duplo”, quando as linhas principais e secundárias são transpostas,
E empilhadas, tornam-se três; as permutações formam cinco.
Como o gosto da erva de cinco sabores, como o vajra (diamante) de cinco pontas,
A realidade se harmoniza sutilmente, como ritmo e melodia, que juntos compõem a música.
Penetre a raiz e meça os ramos, encontrando as conexões, daí alguém encontra o caminho.
Você faria bem em respeitar isso; não negligenciá-lo.
Natural e maravilhoso, não é uma questão de ilusão ou
iluminação.
Dentro de causas e condições, tempo e estação, é sereno e iluminador.
Tão pequeno que entra onde não há lacuna, tão vasto que
transcende a dimensão.
Um desvio de um fio de cabelo e você está fora de sintonia.
Agora, há escolas com princípios súbitos e graduais, em que ensinamentos e
abordagens surgem.
Com ensinamentos e abordagens distintos, cada um tem seu padrão.
Se os ensinamentos e as abordagens são dominados ou não, a realidade flui constantemente.
Sereno fora e tremendo dentro, como potros amarrados ou ratos escondidos.
Os antigos sábios sofreram por eles, e os libertaram com o dharma.
Levados por suas visões invertidas, as pessoas tomam preto por branco.
Quando o pensamento invertido pára, a mente é realizada sem o mínio esforço.
Se você quer seguir a trilha antiga, então observe os sábios do passado.
O Buda, ao completar o caminho, ainda assim permaneceu sentado por dez kalpas (ciclo cósmico de duração imensurável).
Como um tigre cheio de cicatrizes de batalha, como um cavalo com patas presas.
Para aqueles que são vulgares, mesas com jóias e roupas ornamentadas.
Para aqueles que se admiram, um gato e uma vaca.
Com sua habilidade de arqueiro, Yi atingiu a marca a uma centena de passos.
Mas quando setas se atingem ponta com ponta no ar, não há comparação com essa habilidade.
O homem de madeira começa a cantar, a mulher de pedra se levanta e
dança.
Eles não podem ser conhecidos sentimentos ou consciência, como poderiam
ser analisados?
Ministros servem seus senhores, crianças obedecem seus pais.
Não obediência é não filial, não servir é um desperdício inútil.
Prática interior, funcionar secretamente, fazer-se de tolo, parecendo idiota,
Persistir desta forma é o caminho para ver o senhor dentro do senhor.
***
*Gentil Saraiva Jr.
Que tal compartilhar este texto com seus amigos? É só clicar nos botões abaixo e divulgar!